Vamos falar sobre a lei da atração?
- Daiana Oliveira
- 5 de set. de 2020
- 8 min de leitura

Em 1776, Adam Smith publicou a primeira edição do livro "A riqueza das nações".
Considerada uma obra prima da economia, o nome original do livro era " Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações", e corresponde ao estudo de quase 20 anos sobre a dinâmica da sociedade no curso do que hoje chamamos de revolução industrial.
Naquele momento histórico, a sociedade estava passando por uma grande mudança de paradigma no campo econômico, especialmente no Reino Unido, onde a sociedade industrial estava nascendo e florescendo.
E aquela mudança na forma de produzir riquezas permitia que as pessoas pudessem se mover na sociedade independentemente do seu título real. Ainda que essa mobilidade social não fosse fácil, isso era mais possível do que nunca antes havia sido.
E Adam Smith percebeu que havia uma força que colocava em movimento aquela nova realidade econômica. E ele sabia que uma vez compreendido como funcionava aquela força, seria possível usá-la de forma favorável. Da mesma forma que hoje conseguimos voar porque entendemos como funciona a lei da gravidade.
E ele passou anos analisando e estudando como funcionava a dinâmica econômica, quais eram as usas implicações, como ela afetava e influenciava o comportamento humano e as suas decisões.
Ele procurou entender o que colocava aquela força em ação. E ele também procurou entender como todos os demais eventos se desenrolavam a partir de então.
E o ponto primordial dessa nova dinâmica, a origem de todo esse movimento, é o poder do homem de tomar decisões.
Naquele mesmo ano de 1776, os revolucionários norte-americanos assinaram a famosa Declaração da Independência dos EUA.
Depois de 7 anos de guerra, a colônia norte americana havia vencido a Inglaterra.
O rei George III não tinha sido forte o suficiente para derrotar o grande líder George Washington, que mesmo não sendo um grande general, não cedia à derrota. Não importava quão desanimado ele pudesse estar, ou mesmo que não tivesse mais ninguém ao seu lado, os relatos da época contam que ele estava sempre firme no seu posto. E foi isso que impediu que o exército americano se diluísse completamente, o que teria levado a sua derrota.
Porque na realidade não havia exército, não havia uniforme, não havia nada disso.
Era a população da colônia norte-americana se organizando e se mobilizando para conquistar a sua independência. Para conquistar o seu direito de decidir por si.
A declaração de independência foi o grito de alforria das 13 colônias norte americanas.
Finalmente eles estavam livres para tomarem as suas próprias decisões, sem terem que se subordinar às vontades e imposições da coroa inglesa.
E qual é a ligação entre esses dois eventos históricos que aconteceram em 1776?
Qual é o ponto em comum do livro de Adam Smith, "A riqueza das Nações", e a declaração de independência dos Estados Unidos?
O ponto em comum e central desses dois documentos, é que ambos estabeleciam que as pessoas são capazes de tomar decisões melhores se o fizerem por conta própria.
Tanto o livro de Adam Smith quanto a conquista da independência das 13 colônias norte americanas possuíam como base de sustentação o fato de que o ser humano é capaz de fazer escolhas melhores para si, quando decidem por si.
E isso acontece porque a busca de todos os indivíduos pelos seus próprios interesses gera uma força de atração ou de repulsa sobre os demais.
E essa força move o tecido social sempre em busca de equilíbrio, alocando adequadamente os interesses de cada um e os recursos existentes.
Essa força coloca tudo em movimento para que os interesses dos indivíduos encontrem os recursos de que precisam.
Ou seja, se eu quero comprar pão, eu vou procurar o padeiro. Eu vou entrar em movimento para encontrar quem me ofereça pão.
Se eu quero construir uma casa, eu vou procurar o engenheiro. Eu vou entrar em movimento para encontrar quem tenha o conhecimento e a capacidade para construir a minha casa.
Se eu estiver doente vou procurar o médico. Eu vou entrar em movimento para encontrar alguém que tenha conhecimento e habilidade para me curar.
E do outro lado acontece a mesma coisa. Existe uma força que coloca o outro lado em movimento também.
Ou seja, o padeiro também procura quem quer comprar pão. Ele também entra em movimento para poder oferecer pão para quem quiser.
O engenheiro também procura quem quer construir uma casa. Ele também entra em movimento para que possa oferecer o seu serviço para quem quer construir uma casa.
O médico da mesma forma. Ele também entra em movimento para estar disponível para prestar seus serviços a quem está doente.
E em algum ponto, esses dois lados da equação se encontram, e então se equilibram. Em algum ponto quem quer comprar pão encontra o padeiro que quer vender pão. Em algum momento essa força aloca adequadamente os interesses de cada um, com os recursos existentes.
Essa força tem o poder de alocar naturalmente os recursos de forma mais eficiente e mais equitativa.
Ou seja, essa força natural rearranja o tecido econômico para que os recursos sejam melhor distribuídos e para que haja menor desperdício.
Ou seja, essa força se rearranja para que quer encontrar pão, não encontre somente o engenheiro. Para que quem quer construir uma casa, não encontre somente o médico.
Parece bobo, mas é muito comum as pessoas não perceberem que elas estão procurando o que querem no lugar errado, ou que estão vendendo seu produto para o público errado.
E o que coloca essa força organizadora em ação, é o poder das pessoas de tomarem decisões. Quando as pessoas tomam suas próprias decisões com base nos seus interesses, elas colocam essa força organizadora em ação.
E Adam Smith chamava essa força organizadora decorrente do poder das pessoas de tomarem suas próprias decisões de acordo com os seus interesses, de "Mão Invisível". Porque ele percebeu que essa força atuava como uma mão que pega o que é do interesse de um e aloca no lugar certo, de modo que sejam mantidos todos os interesses e todos os recursos existentes em equilíbrio.
Por isso, segundo Adam Smith, a benevolência em si não é construtiva para a sociedade. Segundo ele a benevolência não é capaz de promover o bem estar geral da sociedade. Porque a "Mão Invisível", essa força que coloca tudo em movimento para alocar adequadamente os recursos e interesses, ela não consegue agir para equilibrar os interesses distribuídos no tecido social quando as relações forem apenas conduzidas por benevolência.
Adam Smith percebeu que essa força organizadora invisível somente entra em ação e coloca tudo em movimento para melhor alocar os recursos, quando há a busca pela satisfação dos interesses individuais. Ou seja, somente quando as pessoas tomam a decisão de irem atrás de preencher os seus interesses individuais é que essa força entra em ação, e começa a atuar para colocar todos os recursos necessários a sua disposição.
Para simplificar, quando nós ficamos esperando que alguém seja benevolente conosco e nos estenda a mão para nos ajudar, essa força organizadora fica inerte. Ela não é ativada.
Quando nós esperamos que os outros façam algo por nós, quando nós contamos com a benevolência dos outros, nós não ativamos essa força, e ela fica desligada.
Quando contamos apenas com a boa vontade dos outros para conseguirmos algo, nós não atraímos e nem repelimos nada.
Por isso, quando nos colocamos em posição de vítimas, quando colocamos a culpa das nossas frustrações nos outros, nós paralisamos o curso da nossa vida. O nosso caminho fica estático. Nada flui.
Porque se acreditamos que algo deu errado por causa do que outra pessoa fez ou deixou de fazer por nós, isso significa que nós colocamos as nossas fichas na benevolência, na boa-vontade, na bondade do outro. E quando fazemos isso, não ativamos a força organizadora que coloca tudo em movimento.
Mas é muito importante compreender que o problema não é ser benevolente, mas sim colocar a sua vida nas mãos da benevolência dos outros.
Ou seja, o problema não é ajudar a quem precisa. O problema é não tomar decisões na sua vida, esperando que alguém resolva os seus problemas por você.
Veja, se você toma as rédeas da sua vida, se você tomar as suas decisões em busca dos seus interesses, você já ativou essa força organizadora, você já ligou essa chave, você já permitiu que a "Mão Invisível" aloque os recursos para melhor lhe atender. Então a sua benevolência ativará outras forças que também movem o mundo.
Mas antes disso, você ativou essa força organizadora por meio do seu poder de decisão. E o seu poder de decisão e de ação para satisfazer os seus interesses coloca em ação o poder de atração, você ligou a força organizadora.
Então, esse raciocínio de Adam Smith, não significa que as pessoas não devem ser benevolentes com seus semelhantes em necessidade. Significa, sim, que as pessoas não devem buscar pela benevolência dos outros para obterem o que querem e o que precisam.
Porque o que coloca em movimento essa força organizadora, que aloca adequadamente recursos e interesses, não é o que você faz para o próximo, mas sim o que você decide e faz para si.
Porque essa força organizadora atua de acordo com as decisões que tomamos para alcançar tudo aquilo que querermos.
E quando tomamos a decisão de perseguir os nossos interesses e não contarmos com a benevolência dos outros, a "Mão Invisível" é capaz de agir. Porque entramos no campo de atuação dessa força organizadora.
E isso é bom pra todo mundo, porque quando essa força organizadora atua, quem quer comprar pão, encontra o padeiro, quem quer construir encontra o engenheiro, quem está doente encontra o médico.
E todos ficam feliz, porque todos satisfazem os seus próprios interesses. Quem tem interesse em comprar pão, encontra pão, quem tem interesse em vender pão, encontra comprador.
Adam Smith descreveu isso em seu livro da seguinte forma:
"O homem tem quase que constantes oportunidades para esperar ajuda de seus semelhantes, e seria vão esperar obtê-la somente da benevolência.
Terá maiores chances de ser bem-sucedido se puder interessar o amor-próprio deles a seu favor e mostrar-lhe que é para sua própria vantagem fazer para ele aquilo que deles se exige. (...)
Dê-me aquilo que desejo e terá o que deseja, eis o significado de tal oferta; e dessa maneira obtemos um do outro uma parte muito maior dos ofícios de que necessitamos.
Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos seus próprios interesses.
Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio, e nunca falamos com eles de nossas próprias necessidades, mas de suas vantagens.
Ninguém, exceto o mendigo, escolhe depender principalmente da benevolência dos cidadãos. (...)
Cada indivíduo (...) não tem a intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o está promovendo. (...)
Não pensa senão no próprio ganho, e, nesse caso, como em muitos outros, é conduzido por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção.
E nem sempre é pior para a sociedade que não fizesse parte.
Ao perseguir seu próprio interesse, ele promove o interesse da sociedade de modo mais eficaz do que faria se realmente se prestasse a promovê-lo."
Então, até os economistas já perceberam há muito tempo que existe uma força invisível que atua sobre tudo o que existe, e que essa força age para manter o equilíbrio constante entre os interesses dos seres e os recursos existentes no mundo.
Até os economistas já perceberam que para entrar no campo de atuação dessa força organizadora invisível os indivíduos devem ser capazes de tomar suas próprias decisões por conta própria. As pessoas devem ser livres para decidirem.
E até os economistas já perceberam que essa força de atração e repulsão somente age sobre nós quando decidimos perseguir os nossos interesses e quando agimos para conseguir satisfazer os nossos interesses sem esperar pela ajuda dos outros Quando vamos atrás do que queremos sem contar com a benevolência de ninguém.
Porque quando deixamos de nos colocar em posição de vítimas das situações, quando deixamos de colocar as nossas vitórias nas mãos dos outros, quando assumimos o controle da nossa vida e decidimos agir para conquistar os nossos interesses, nós ativamos uma força organizadora que passa a colocar tudo em movimento para que todos os recursos de que necessitamos cheguem até as nossas mãos, independentemente da benevolência dos outros.
TEMPO DE MEDITAR | Daiana Oliveira



